Burnout no local de trabalho: cenário atual e formas de combatê-lo

Por Gabriella Rodrigues

Em 2019, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu o burnout no local de trabalho como um fenômeno ocupacional. Embora não seja considerado uma condição médica, o burnout foi definido como “estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso”. Anteriormente, ele era definido como “estado de exaustão vital”. 

Embora tenham se passado alguns anos desde que a classificação mudou, a nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-11), que contém os diagnósticos de burnout e outros, entrou em vigor em 2022. 

“A principal mudança dessa nova definição diz respeito aos direitos dos trabalhadores, uma vez que, a partir de agora, a responsabilidade pelo burnout está diretamente ligada às companhias”, aponta a psicóloga Carolina Barbosa Gobetti. Portanto, a expectativa é que as empresas sejam chamadas a agir a fim de construir um ambiente de trabalho mais saudável e menos estressante. 

A expansão do burnout

A boa notícia sobre encontrar uma definição mais precisa para o burnout é que isso ajuda a endereçar a condição com mais precisão, mas o atual cenário da pandemia de COVID-19 adiciona mais peso ao problema. De acordo com um estudo realizado pela Limeade, o burnout é a principal causa da demissão em massa de funcionários, conhecido no Reino Unido e nos Estados Unidos como A Grande Resignação. 

Outra pesquisa, realizada pela McKinsey & Company, entrevistou mais de 5 mil empregados que trabalham em ambientes corporativos e governamentais para entender, entre outras coisas, seu nível de burnout. Os resultados mostram que 49% sentem alguns sintomas de esgotamento no trabalho, e a falta de comunicação organizacional é considerado um gatilho para o sentimento. 

No entanto, como os pesquisadores enfatizam “isso (o resultado) pode ser uma subestimação, uma vez que colaboradores que sofrem de burnout são menos propensos a responder pedidos de pesquisa, e os indivíduos mais esgotados podem já ter deixado a força de trabalho – assim como muitas mulheres, que foram desproporcionalmente afetadas pela crise de COVID-19, fizeram”. 

Adicionalmente, o site de empregos Indeed entrevistou 1500 trabalhadores americanos de diferentes idades, níveis de experiência e setores para entender o nível atual de burnout. A pesquisa mostra que 67% acreditam que o burnout piorou durante a pandemia. Além disso, 52% dos respondentes disseram ter passado por um episódio de burnout em 2021, contra 43% registrado na mesma pesquisa pré-COVID. 

Os resultados da pesquisa realizada pelo Indeed também destacam que funcionários virtuais ou que trabalham de casa têm uma percepção diferente daqueles que trabalham no local de trabalho. Pessoas do primeiro grupo têm maior inclinação a dizer que o burnout piorou durante a pandemia (38%), contra 28% do segundo grupo. 

O principal motivo por trás dessa diferença está relacionado à dificuldade de encontrar equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal durante a pandemia, “devido à incapacidade de tirar um tempo livre ou à falta de limites claros entre o ambiente de trabalho e a casa”. Além dos limites confusos entre vida profissional e vida pessoal, as finanças (33%) e a saúde (25%) também foram as maiores preocupações e gatilhos para os sintomas de burnout.  

Sintomas

No último documento da OMS sobre burnout, a condição refere-se especificamente a fenômenos no contexto ocupacional e é caracterizada por três grandes sintomas: 

  • sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia
  • aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho
  • redução da eficácia profissional

De acordo com Gobetti, esses sentimentos abrangem numerosos sintomas nos níveis físico e mental, bem como uma diminuição da sensação de valor no ambiente de trabalho. Uma sensação de falta de energia e exaustão podem ocorrer por meio de “dificuldade de concentração, dores musculares, mudanças na pressão sanguínea, batimentos cardíacos acelerados e uma falta de energia generalizada”. 

Do ponto de vista da saúde mental, o burnout consiste em um processo de despersonalização e está conectado a mudanças comportamentais em relação ao trabalho e às pessoas, mudanças de humor extremas, maior insensibilidade, isolamento e nervosismo.  Por fim, o sinal mais comum, o sentimento de fracasso no local de trabalho, é traduzido em insegurança, negatividade e a sensação de que a pessoa não é capaz de realizar uma tarefa ou desenvolver novas habilidades. 

Buscando ajuda

Para as pessoas que têm tido os sintomas listados, o mais importante a se fazer é procurar ajuda profissional. “É altamente recomendado que uma pessoa que esteja com sinais de burnout fale com um psicólogo, para que este profissional consiga avaliar a situação e identificar se é realmente burnout ou outro transtorno mental, como depressão ou ansiedade”. Além do tratamento, também é importante realizar atividades físicas regulares, estabelecer um horário de dormir e acordar, para garantir horas de sono suficientes, e poder se dedicar a atividades agradáveis. 

Embora a pandemia tenha sido imprevisível para todos, as empresas também devem estar atentas aos efeitos que ela teve sobre a sua força de trabalho e em como elas podem aliviar alguns dos fatores de estresse que contribuem para a sensação de esgotamento. Como o fenômeno do burnout já existia antes da pandemia, mas se tornou mais presente nesse momento, atualizar procedimentos e protocolos existentes ou estabelecer novos é um passo que as empresas podem dar para garantir o bem-estar de seus funcionários. 

Algumas sugestões nesse sentido são fazer avaliações periódicas do ambiente de trabalho a fim de mensurar o nível de estresse dos colaboradores, mitigar a sobrecarga de trabalho, oferecer palestras sobre saúde mental, horários flexíveis e pausas mentais. Por último, mas não menos importante, os empregadores devem prestar atenção aos seus empregados com o intuito de perceber mudanças de comportamentos, estabelecer diálogos e, acima de tudo, dar-lhes apoio. 

Referências:

https://www.who.int/news/item/28-05-2019-burnout-an-occupational-phenomenon-international-classification-of-diseases

https://www.mckinsey.com/business-functions/people-and-organizational-performance/our-insights/what-employees-are-saying-about-the-future-of-remote-work

https://www.indeed.com/leadershiphub/preventing-employee-burnout-report

https://www.inc.com/marcel-schwantes/why-are-people-really-quitting-their-jobs-burnout-tops-list-new-research-shows.html

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